Ainda Índia…

Se eu tivesse uma grande desenvoltura para a escrita, escreveria um belo e imenso texto sobre a Índia. Suas belezas, mistérios e caos. Suas surpresas e diversidades, suas cores exuberantes… Falaria dos sabores, dos temperos, das pessoas e da fé que elas carregam, dos fardos em seus ombros, do trânsito, dos meios de transporte, tão diferentes e variados; das sedas, dos saris, das linguas, da fome, dos deuses, do Ganges, das cores, que de tão fortes e belas, parece que não existem.

Falaria sobre tudo que vi e senti na Índia. Falaria do meu espanto e êxtase, falaria da torrente de sentimentos contraditórios que nos tomam de assalto no momento em que pisamos aquela terra tão antiga, de tempos imemoriais… E tão moderna, com seus inigualáveis softwers, seus satélites, bomba atômica… Uma favela imensa misturada ao luxo de arranha-céus modernosos, o futuro e o passado convivendo, ora apressadamente, ora zen… Num equilíbrio inusitado e estranhamente belo, que desenha, caos e criação, carma, conformismo, tolerância, questionamentos, mudanças…  Num novo livro, a ser lançado pelas próxima gerações.

Mas como não tenho tanta desenvoltura para a escrita,  me atenho a algumas poucas observações sobre lugares por onde eu passei e pelos quais me apaixonei. Como Pushkar, uma cidade sagrada, reduto dos hippies nos anos 70 e que ainda guarda esse clima meio bicho grilo, meio descolado, desbundado… Um lugar gostoso, charmoso, especial! Lá as pessoas não te abordam tanto, nem oferecem as bugingangas maravilhosas e belas quinquilharias insistentemente, por isso é tão mais bacana comprar a vontade… E tem coisas, viu? Tem também os lagos sagrados, onde as pessoas tomam seus banhos e se purificam de corpo e alma, mais de alma que de corpo… A água não deve ser lá tão limpa!

Pushkar, é deveras um lugarzinho interessante e lindo, que deve estar num roteiro de pessoas descoladas que viajam pela Índia. Eu adorei!

Ah! Outro lugar especial, que também não pode faltar num roteiro alternativo é Lakshman Jhula (Rishikesh). Lindo, mágico, maravilhoso! Foi lá onde os Beatles desbundaram com o album branco, se meteram num ashram, meditaram, curtiram  Yoga, Maharishi… Se banharam no Ganges, deixaram cabelos e barba crescerem, idéias brotarem, imaginação florir e fluir. Foi lá…

E é onde eu quero voltar outras vezes pra me reciclar. Purificar corpo e alma nas águas geladas do Ganges…

Ah! se eu tivesse desenvoltura pra escrita… Escreveria um  belo texto, com tantas, tantas, curiosidades da Índia…

Índia…

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O sonho de quase todo hippie sul americano, nos anos 70, era viajar pra Índia, Nepal, Marrocos… Viver aquele delírio psicodélico, quase  surreal, lisérgico, mantricoespiritual…

Marrakech, Katmandu, Nova Dehli… eram nomes exóticos que povoavam nossa imaginação e nos levavam a mundos diferentes, distantes,  exuberantes, cheios de temperos, perfumes, texturas, cores incríveis…

Mas foram apenas os privilegiados que conseguiram realizar esse sonho. Primeiro, era quase impossível uma carona que nos levasse até a cidade mais próxima de uma dessas… Depois, a grana que conseguíamos com o parco artesanato era muito curta pra um roteiro semelhante. Enfim… Os que tiveram sorte, ou o universo conspirando a seu favor, deleitaram e amargaram as dores e delícias que um roteiro desses pode proporcionar.

Dizem que a Índia, assim como o Marrocos, você ama ou odeia.

O Marrocos eu amei! A Índia… Enfim vou realizar um sonho dos anos 70. Parto agora esse mês. Infelizmente com o estigma da novela das oito sobre os ombros. A pergunta constante: “Você está indo conhecer a Índia por causa da novela?” As vezes pra encurtar conversa eu digo SIM.

Uma carta que recebi…

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Não vou dizer o nome de quem me escreveu, mas fiquei tão feliz em receber essa carta-resposta, (prefiro dizer carta do que email, resquícios dos velhos tempos…) Fiquei super feliz de saber que o Universo 70 tá conspirando bons ares, trazendo esperanças novas, novos sonhos, instigando à viagens… Dormir sob as estrelas… enfim!

Eis aí a carta…

“Poxa, que bom receber esse teu e-mail, viu? Tava aqui já há um tempinho pensando em te mandar um e-mail, mas a preguiça tava foda… Pensei nisso esses dias, inclusive… Bom, enfim: ainda nao viajei nao… É que tô esperando a minha amiganamorada terminar o 3º ano colegial e fazer 18 anos (o aniversário dela é daqui a 15 dias), pq ela vai comigo – é que ela vai fugida de casa e, no caso de os pais dela botarem a polícia no meio, ela tendo 18 anos aí já não teríamos problema algum com a lei. Ainda nao sei exatamente quando vamos embora, mas do dia 1º de Janeiro não passa!

Olha, mas agora eu tenho uma dúvida: e o medo, o que que a gente faz com ele? Medo da violência, medo do mundo, medo das pessoas, medo da maldade? É que a gente é criado desde pequeno ouvindo essas coisas, dos “perigos do mundo”, por todos os lados: é a TV mostrando desgraça, é a mãe falando que o mundo tá muito perigoso, é história de assalto, seqüestro, assassinato… A gente é, desde pequeno, acostumado com grades, com o medo de sair na rua, essas coisas…

Eu e essa minha amiga, a Rebeca, a gente já fez uns ensaios de viagem algumas vezes. Quando os pais dela viajam pra casa de praia deles, ela fica na cidade e já umas duas vezes a gente viajou de madrugada pra umas praias a uns 70km daqui, passamos a madrugada pela praia e voltamos no outro dia à tardinha. O problema é que, talvez por essa criação nossa, a gente sempre fica muito “noiado”, com medo de tudo e de todos. Com medo das pessoas, mesmo. E, além disso, eu tive muita dificuldade de cair no sono estando dormindo alí, de maneira tão vulnerável. Como se livrar disso, desses medos? Eu sei que você não poderá me dar essas respostas, que eu mesmo é que tenho que descobrir, mas é que eu fui escrevendo e isso acabou saindo… No fundo, acho que isso é só questão de costume. Não dá pra mudar 20 anos vivendo de um jeito duma hora pra outra. Acho que é questão de tempo. Precisa-se de um tempo pra se desacostumar com algo, né? Aos poucos a pessoa vai se acostumando com o novo…

Bom, mas lá no fundo, acredito que, se viajarmos levando muito amor, alegria e sentimentos bons às pessoas por onde passarmos, a tendência é que só recebamos coisas boas de volta. Acredito que você recebe de volta aquilo que você dá, e que se você só tem amor no coração, então não há o que temer. Se, em cada cidade que passarmos, fizermos o bem a todos que passarem pela nossa frente, acredito que só encontraremos pela frente pessoas boas e que essas pessoas boas só haverão de nos ajudar.

Ah, sempre pensamos, Rebeca e eu, em viajar de carro, pois assim, dentre outras vantagens, teríamos um lugar menos vulnerável pra dormir. Então, esses dias estive pensando em trocar meu carro – que ganhei dos meus pais quando passei no vestibular em uma universidade pública – por uma Kombi usada e viajar nela. Uma kombi é legal por quê pode servir de casa ambulante, né? Acho que me sentiria mais seguro assim, dormindo num carro (ou então em uma barraca mesmo, mas num lugar bem escondidinho, tipo um terreno baldio, escondido detrás de um muro pra ninguém ver). Enfim, estou pensando seriamente nessa possibilidade da Kombi. O que você acha?

Bom, vou indo por aqui, vou pegar a Rebeca na prova.
Um beijo pra você, e obrigado por tudo.
E desculpa se escrevi demais.

Ah, e continuarei lendo o universo70 sim! ele tá aqui nos meus Favoritos faz é tempo e eu tô sempre dando uma olhada pra ver se tem post novo. 🙂

Fui!!

carrinhoflorido

Boa viagem, garotos! Que os bons ventos os leve, e que seja leve essa viagem, e todas as outras que farão ao longo da vida. E que os sonhos não acabem nunca…

Carta ao viajante…

A viagem começa quando aportamos nesse planeta, vindos não sei de onde e trazendo na pele um cheiro especial. Um cheiro do cosmos, talvez!

O primeiro grito! Um choro… um gemido.

Depois aprendemos a sorrir, falar, andar, correr… Enfim…
a viagem está só começando. Deram-nos à luz! Viajamos pela luz e pela penumbra, viajamos nos sons, nos movimentos, nas cores e formas, nos vultos, na inconsciencia, na ignorancia, na aprendizagem, na sabedoria… Quiçá na consciencia plena! Viajamos! A jornada pode ser longa ou curta, poderemos ter todo o tempo do mundo, ou o tempo pode nos virar as costas. Viajamos por estradas largas, claras, floridas, estreitas, íngremes, asfaltadas ou enlameadas. Atolamos! Capotamos! Pode pintar socorro, ou não! Talvez saiamos ilesos, talvez feridos, ou apenas arranhões! Viajamos! Pelos verdes vales do fim do mundo, ou somente nos fins de semana, ou pelo quintal de casa, ou sentados na varanda. Mesmo assim viajamos. Sós! com amores ou amigos, com fantasmas… Alegres ou tristes, sonhadores, cabisbaixos, desiludidos, angustiados, desenfreados, perpléxos! Com bagagem, com excesso, sem nada! Sem lenço sem documento! De carona, a pé ou de avião. Viajamos! Não importa como, não importa o veículo, nem o percurso, nem as distancias, nem os atrazos, nem os percalços, nem estar dormindo ou acordados. Viajamos! Viajaremos sempre, enquanto houver vida, porque a vida é a viagem e a paisagem é tudo em volta. A morte? talvez seja apenas mais uma conexão!

Amsterdã… Lá voamos nós…

Pois é, vamos pra Amsterdã, “cidade que eu sou fã”… Como já dizia Paulinho de Tarso, músico e poeta.

Vamos pra amsterdã, sim! E quando chegar lá, vou fazer que nem Gabeira, fumar muitos uns nos cafés. Lá pode!

Vou conferir o que falou um parlamentar Paraibano, cujo nome não tem nenhuma importância, a respeito das cidades Européias, onde as “drogas” são liberadas. Segundo ele, são cidades decadentes, onde as pessoas mais decadentes ainda, vagam desnorteadas pelas ruas, sob o efeito nocivo da erva maldita. Ô papo brabo! Claro que eu não vou conferir nada disso, eu sei muito bem que esse cara tá completamente equivocado, falando asneiras! Quero mais é curtir as belezas da cidade. Os cafés, fumar uns, claro! E de lá partir pra Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja e adjacências. Mochilão nas costas. Não mais uma longa viagem de carona… Os tempos agora são outros, e me escorrem pelos dedos. Tenho apenas quarenta dias pra andarilhar tudo isso. Fotografar. Me isnpirar para a próxima coleção de primavera-verão. e depois me preparar para outras viagens. Viajar faz bem pra minha alma, meu corpo… É um resquício gostoso que ficou em mim, desde os anos 70.

Across the Universe…

Pra lá de Marrakech…

Tribos Urbanas

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A liberdade é o espelho da efervenscência de uma década onde todas as formas de expressão tiveram seu lugar ao sol.

Anos setenta… Todas as vertentes foram permitidas. A explosão do movimento hippie: Flower Power! Tropicália! As noites embaladas pelo som de pink floyd, jimi hendrix, novos baianos, mutantes… E as viagens! Foram tantas…

Viagens de carona, viagens astrais, e até viagens sem volta, pelos porões da ditadura.

Depois chegaram os anos oietnta e os valores burgueses roubam novamente a cena. A imagem que representava rebeldia agora dá lugar a personagens (dublês de executivos) denominados yuppies.

Por outro lado, entediados com esses tais valores yuppies, agitam figuras esquisitas, com caras de indios moicanos. Adrenalizados, oxigenados, acinzentados, alucinados… Dark’s? Neo punk’s?

E na periferia da história, nas mãos e contramãos das estradas, são tantas pedras que rolam! Pedras do reggae, filhos de Jah! Tribos das mais variadas espécies, das mais raras etnias… Continuam brotando e morrendo, e as vezes, como fênix, renascendo das cinzas. Seja “nos verdes vales do fim do mundo” ou em qualquer uma das largas ruas, frias e secas de Brasília, ou de qualquer outra ilha.

Aqui, agora! Terceiro milênio! Há um passo do apocalipse…

Somos tantos! Hippies, punk’s, darks, grunges, gays, yuppies, emos, yanomamis, andrígenos, skin heads, cibernéticos, internautas, esotéricos, pretos, brancos, mulatos, malucos, caretas, xiitas, comuns, comunas, evangélicos, catatônicos, etcétera… Mas será que cada um “sabe a dor e a delícia de ser o que é”? É inspirada nessas inquietações, nessas buscas constantes e eternas descobertas, que eu escrevo, crio, vivo!