Carta ao viajante…

A viagem começa quando aportamos nesse planeta, vindos não sei de onde e trazendo na pele um cheiro especial. Um cheiro do cosmos, talvez!

O primeiro grito! Um choro… um gemido.

Depois aprendemos a sorrir, falar, andar, correr… Enfim…
a viagem está só começando. Deram-nos à luz! Viajamos pela luz e pela penumbra, viajamos nos sons, nos movimentos, nas cores e formas, nos vultos, na inconsciencia, na ignorancia, na aprendizagem, na sabedoria… Quiçá na consciencia plena! Viajamos! A jornada pode ser longa ou curta, poderemos ter todo o tempo do mundo, ou o tempo pode nos virar as costas. Viajamos por estradas largas, claras, floridas, estreitas, íngremes, asfaltadas ou enlameadas. Atolamos! Capotamos! Pode pintar socorro, ou não! Talvez saiamos ilesos, talvez feridos, ou apenas arranhões! Viajamos! Pelos verdes vales do fim do mundo, ou somente nos fins de semana, ou pelo quintal de casa, ou sentados na varanda. Mesmo assim viajamos. Sós! com amores ou amigos, com fantasmas… Alegres ou tristes, sonhadores, cabisbaixos, desiludidos, angustiados, desenfreados, perpléxos! Com bagagem, com excesso, sem nada! Sem lenço sem documento! De carona, a pé ou de avião. Viajamos! Não importa como, não importa o veículo, nem o percurso, nem as distancias, nem os atrazos, nem os percalços, nem estar dormindo ou acordados. Viajamos! Viajaremos sempre, enquanto houver vida, porque a vida é a viagem e a paisagem é tudo em volta. A morte? talvez seja apenas mais uma conexão!
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Cogumelos! Cogumelos! Cogumelos!

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Era a maior alegria! Um monte de maluco correndo pelos pastos do Recôncavo Bahiano, procurando cogumelos, nas manhã de sol, preferencialmente após um dia de chuva.

É quando eles brotam, como uns chapéus dourados, talvez por isso o apelido de chapeleto, chapéu de ouro, chapéu de duende… Não estou falando de cogumelos tipo shitake, shimeji, fungh… Não! É cogumelo alucinógeno mesmo,(cogu, para os mais chegados) desses que dão barato! Mesmo que cobrem caro depois. Pois assim como a viagem pode ser maravilhosa, pode ser uma bad trip também. Os efeitos colaterais podem não rolar pra uns, mas podem ser terríveis pra outros. Como várias coisas nessa vida né?

Tinha uns malucos que ficavam cheio de furúnculos depois de comer, ou tomar o chá de cogumelos. Eu, graças a Deus nunca tive nada. Tive foi muita viagem fantástica, pelos labirintos da consciência cósmica, descortinando o espaço sideral. Viagens astrais! Viagens interiores, profundamente interiores. Viagens enigmáticas… Loucas!

Mas os tempos eram outros… E o que a gente queria era a espansão da consciência, o auto conhecimento, experimentar outras dimensões, ou simplesmente viajar… Mas pra voltar melhores do que éramos. Embora as vezes perdêssemos o senso de direção. Alguns não encontraram o caminho de volta e ficaram por lá. Para sempre! Outros voltaram mas se esqueceram de tudo. E outros continuam sendo eternos viajantes sonhadores delirantes.

CALEIDOSCÓPIO…

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Embora tenha curtido o caleidoscópio como uma das minhas primeiras viagens psicodélicas, não me contetei apenas com isso. Eu queria desvendar aquele mistério…

Ficar ali horas e horas rodando em direção a luz, aquele tubo de papelão (ou pvc) cheio de fragmentos de vidros coloridos, miçangas e pedrinhas semipreciosas que formavam desenhos psicodélicos, mandalas… Sem se repetir. Era um grande barato, que passava de mão em mão, como o baseado. Naquela época todo mundo queria ter um caleidoscópio. Adultos e crianças! Foi por isso mesmo que eu pensei em diversificar. Todo maluco, inclusive eu, tava mesmo fazendo bijú (pulseiras, colares e afins). A concorrência pra caleidoscópio era zero. Desmontei um e repeti passo a passo o trampo. Ficou massa! Super personalizado! Recoberto com durepox, cheio de pedras e búzios incrustados. Uma obra de arte!

Por um bom tempo vivemos as custas de caleidoscópios, que “fabricávamos” e saíamos pra vender nos bares, porta de cinemas e teatros, shows… Praças… Depois ensinamos a mágica a um bocado de gente… Fizemos até oficina.

Bons tempos aqueles anos, dos “mangueios”, feiras hippies, muito papo e artesanato. Muita viagem! E a gente tinha a capacidade de se encantar com tudo… E delirar.

Dia desses encontrei na casa de uma amiga um remanescente, feito por mim, todo velhinho, empoeirado… Mas quando coloquei no olho, mirei pra luz e rodei… Êta viagem!