Lembranças tristes dessa década…

Infelismente, muitas coisas tristes também aconteceram e marcaram essa década tão criativa e inspiradora.

Estive recentemente no Vietnam e Cambodia. Entrei nos túneis que os vietcongs fizeram pra se esconder dos Americanos, vi as armadilhas rústicas que os ajudaram a vencer a guerra, constatei a importância que teve o arroz nessa batalha… O Vietnam tem um povo forte e aguerrido, nunca se permitiu ser dominado. Botou todo mundo que tentou domina-los pra correr. Eles tem histórias de lutas e vitórias pra contar.

O Cambódia… Carrega o peso de uma história terrivelmente insana, louca! É inacreditável o que aconteceu com aquele povo. É inacreditável existirem seres como o tal Pol Pot e sua corja. E a devastação que eles causaram nesse país. É uma mancha na história da humanidade! Agora, o Cambodia é um pais em construção, um país em obras… E eles agredecem por estarem vivos. Os jovens não querem falar sobre o passado sangrento e os velhos querem apenas esquecer o que houve. Enquanto as crianças, com os olhos cheios de esperança, aguardam um futuro melhor.

Novos Baianos…

“Vou andando como sou e vou sendo como posso, jogando o meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros”… Pra mim, ninguém marcou mais a malucada da estrada, nos anos setenta, que os Novos Baianos. Eles eram tudo que nós queríamos ser, e eles viviam como a gente vivia. Só que gravavam discos, faziam seus shows… Enquanto vendíamos nossas pulseirinhas nas portas dos teatros. Feiras, bares e adjacências.

Os Novos Baianos eram totalmente malucos, lúdicos, livres e despretenciosos. Era isso que nos tornava tão próximos deles. Eles davam os recados que também eram nossos, eles vestiam as nossas roupas e compartilhavam nossas idéias, e comiam cogumelos, e fumavam marijuana, como nós.

Muita gente não tem noção de como era viver na estrada, nos anos setenta, aqui no Brasil. Era uma galera! Enorme!

Muitos malucos botaram uma mochila nas costas, deixaram um bilhete na porta e sairam por aí… E essa malucada terminava se encontrando, se conhecendo, levando notícias, trazendo notícias. Era uma grande comunidade nômade que se espalhava e se encontrava em lugares diferentes, constantemente.

Era maluco subindo pro Norte, maluco descendo pro Sul. Maluco morando em barcos, carroças, casas abandonadas… Desbravando o extremo sul da Bahia ou o alto Tapajós.

Era um frenezi zen psicodélico tropicalista libertário.

E digo sem medo de errar: Os Novos Baianos foram as figuras que mais embalaram os nossos sonhos e os nossos delírios cotidianos.

Saudades dos Novos Baianos!

Dito e certo…

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“O cinema como conhecemos até hoje, acabou.

Porque hoje existem câmeras de oito milímetros e qualquer pessoa

pode comprar uma e começar a filmar”.

(O ator Pierre Clementi a Glauber Rocha, abril de 1970)

Coisas Malditas…

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OCUPAR ESPAÇO

ESPANTAR A CARETICE

TOMAR O LUGAR

MANTER O ARCO

OS PÉS NO CHÃO

UM DIA DEPOIS DO OUTRO.”

( Torquato Neto, coluna “Geléia Geral, (Última Hora, 30/11/1971)

Manifesto Hippie (O Pasquim/1970)

“Seguinte: O futuro já começou.

Não se pode julgá-lo com as leis do passado.

A nova cultura é o começo da nova civilização. E a nova sensibilidade

é o começo da nova cultura… Você curtiu essa? Há muito ainda que curtir”.

(Luís Carlos Maciel)