Eu quero é botar meu bloco na rua…

Inquietante, enigmático, maluco beleza… Fez um vôo relâmpago pela década de setenta, mas deixou sua marca na nossa música.  Eu viajei de trem, pobre meu pai, cala a boca Zebedeu, eu quero é botar meu bloco na rua…  São algumas de suas pérolas. Morreu precocemente aos 47 anos, vítima da sede de viver tudo e beber todas… Grande Sérgio Sampaio!

Os doces bárbaros…

Gil, Caetano, Betânia e Gal fizeram uma turnê bárbara em 76, compartilhando afetos e sons num lance incrível que emocionou o Brasil.

Com um figurino desbunde, eles interpretaram com primor, músicas que marcaram nossa época.

Numa atitude libertária, misturando psicodelia, fé e muita “viagem”, os doces bárbaros embalaram nossos sonhos e atiçaram nossa imaginação, nosso comportamento… Adoçando e ao mesmo tempo apimentando nossas vidas.

A prisão de Gilberto Gil, que na época mostrou uma lucidez e coerência que sempre foram marcantes e presentes em sua vida, revela o quanto é equivocado essa perseguição ao uso recreativo da maconha. A história mostra a trajetória impecável de Gil. Sua integridade como ministro da cultura, sua competência como  músico, e como o grande artista que ele é, e principalmente a pessoa especial que é Gilberto Passos Gil Moreira …

Quem assistir ao documentário saberá do que estou falando. Quem conhece Gil, também!

Viva os doces bárbaros! Por eles terem acrescentado algo de bom em nosssas vidas. E viva Gilberto Gil,  pela trajetória, pela coragem,  pela liberdade,  por ele ser quem é!

Quanto aquele incidente em Floripa… O depoimento daquele delegado é tão ridículo que parece surreal. Vejam esse documentário…

Provavelmente ele ficou conhecido como o delegado que prendeu Gilberto Gil, mas Gil não ficou conhecido como o artista que foi preso em Florianópolis…

A história não falha.

PS:  Assistam esse documentário na integra! Aqui só postei o trecho da prisão…

São tantas coisas, bicho…

universosetentacolagens

São tantas as coisas que fazem parte do universo da geração 70… Uma geração que  sonhou tantos sonhos, deu sua cara a tapa, vestiu roupas extravagantes e ultracoloridas, tirou a roupa, tirou o sutien,  gritou slogans de amor e paz, fez amor livre nas praias, acampou nos verdes vales do fim do mundo, comeu cogumelos mágicos, voou com asas imaginárias, levantou bandeiras ao vento, sentiu o vento na cara viajando pelas estradas nas carrocerias de caminhões,  fumou cigarros indios, semeou palavras tortas, recitou poesias absurdas, lançou olhares enviesados, saboreou  geléias gerais, tocou e dançou todos os rítmos, andou na contramão atrapalhando o tráfego, pousou na sua sopa com a boca escancarada, dormiu no pau de arara nos porões da ditadura,  dormiu no sleepbag, caminhou contra o vento sem lenço sem documento, sorveu e derramou ao redor  grandes goles de rebeldia, liberdade, incomformismo… cujos efeitos estão aí até hoje!