Cabelos

cabeludos

Outra coisa que marcou a década de 70: Todo mundo era cabeludo, quer dizer, todo maluco deixava crescer os cabelos, e até quem não era maluco, mas queria estar na onda… As meninas tinha o cabelão, as vezes com franjas, as vezes não. Encaracolados era o máximo! Mas quando não eram longos, eram black power. Os meninos mais comportadinhos  tinham o cabelo estilo Ronnie Von, aquele que não era tão curto mas também não era considerado cabelo grande. Tinha uns que imitavam os beatles, mas os beatles antes de dispirocarem, antes de Sargent pappers, antes de irem pra Índia e tomarem ácido, antes do álbum branco… Quando eles tinham ainda aqueles cabelinhos todos iguais.

Agora tinham os meninos que eram da rede rasgada, gostavam de rock, de tropicália, de mutantes, de novos baianos… esses tinham os cabelões. Alguns tinham até piolhos… Outros não!

O cabelo era um símbolo de rebeldia, inconformismo, liberdade… Talvez!

E Alceu cantava: “Eu desconfio dos cabelos longos de sua cabeça se você deixou crescer de um ano prá cá”…

E alguém dizia: ” Ah! Esse cheiro de fumaça estranha… Foi um cabeludo que passou por aqui. Com uma calça da bocona…Só pode ter sido!”

Mas hoje, nada disso tem a mínima importância. Ou não!

Cabelos e bobes…

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Que os cabelos eram longos, despenteados, cacheados… Ah isso era mesmo! Lindos!

Cabelo… era uma marca nos anos 70. Tema de músicas e até de longos bate-papos, filosóficos… Em mesa de bar.

Quanto maiores melhor. Mas o que era incrível era a estória dos bobes. Não tinham nada a ver com os cabelos despenteados dos malucos, hippies, alternativos, essas tribos todas. Bobes eram coisas de, o que chamaríamos hoje, patricinhas ou dondocas. Bobes, definitivamente, não eram coisas de malucos. As minhas tias adoravam. Eu não entendia aquele sacrifício semanal, as vezes diário. Mas que era um sacrifício era! Por que não fazer logo um permanente, que era também um must naquela década louca? Pelo menos pouparia aquela escravidão. Mas eu acho que era aquela escravidão que elas adoravam. Bota bobe, prega grampo, enrola… Conversa, conversa. Tira bobe, tira grampo, e lá está o cabelo todo arrumadamente cacheado. Cachos bem feitos, tão diferentes dos cachos de Gal… Fatal. Doces… Bárbaros! Maravilhosos! Depois os de Elba, tão ouriçados…

Nunca coloquei um bobe nos cabelos em toda minha vida, mas já fiz papelotes e permanente. A minha experiencia com papelotes foi incrível! Mas isso é uma outra estória.

Um dia eu conto!

Será que hoje ainda se usa bobes? se não me engano tem uma versão nova: Um tal de Babyliss!

Mas os cabelos são outros, as cabeças então… As chapinhas japonesas e escovas progressivas que o digam.
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