Mangueio…

Sair pra manguear… Era sair por aí com ou sem trampo, de porta em porta, ou  de bar em bar, pedindo alguma coisa. Ou um trocado pra completar o vinho, ou um rango pra matar a broca, ou uma roupa qualquer, de preferência um jeans, uma camiseta velha…

Pareciam, a primeira vista, com mendigos. Mas não eram. Tinham algo diferente. O olhar, talvez. Os cabelos, por certo. Um certo charme, um meio mistério, um ar sonhador…  Uma aura de sabedoria escondia-se ali.

Saiam pra manguear, como atores mambembes, encantar as pessoas, contar suas aventuras de estradas, matar a curiosidade alheia, responder perguntas complicadas: “Quem é você, de onde veio, pra onde vai?” Vocês são hippies???

Sair pra manguear era filosofia pura! Era psicoterapia também… Em grupo! Era o despertar de sonhos escondidos pra muitas pessoas que lhes davam um trocado pra completar o vinho. Elas gostariam de largar tudo também. Desatar o nó da gravata, calçar um chinelo, duas mudas de roupas na mochila, e pegar estrada, cujo destino, liberdade…

Por outro lado, pra quem estava mangueando, era um grande exercício de humildade, de aprendizagem, da perda da antiga identidade e o alcance de outros ganhos sutis, essenciais pro crescimento espiritual etc etc. Mas isso é  um outro papo… Não estou apta, não no momento!

Sair pra manguear era um grito de guerra, naqueles tempos de paz e amor…

Só quem viveu entende o que eu digo, eu acho…

Cabelos

cabeludos

Outra coisa que marcou a década de 70: Todo mundo era cabeludo, quer dizer, todo maluco deixava crescer os cabelos, e até quem não era maluco, mas queria estar na onda… As meninas tinha o cabelão, as vezes com franjas, as vezes não. Encaracolados era o máximo! Mas quando não eram longos, eram black power. Os meninos mais comportadinhos  tinham o cabelo estilo Ronnie Von, aquele que não era tão curto mas também não era considerado cabelo grande. Tinha uns que imitavam os beatles, mas os beatles antes de dispirocarem, antes de Sargent pappers, antes de irem pra Índia e tomarem ácido, antes do álbum branco… Quando eles tinham ainda aqueles cabelinhos todos iguais.

Agora tinham os meninos que eram da rede rasgada, gostavam de rock, de tropicália, de mutantes, de novos baianos… esses tinham os cabelões. Alguns tinham até piolhos… Outros não!

O cabelo era um símbolo de rebeldia, inconformismo, liberdade… Talvez!

E Alceu cantava: “Eu desconfio dos cabelos longos de sua cabeça se você deixou crescer de um ano prá cá”…

E alguém dizia: ” Ah! Esse cheiro de fumaça estranha… Foi um cabeludo que passou por aqui. Com uma calça da bocona…Só pode ter sido!”

Mas hoje, nada disso tem a mínima importância. Ou não!

Cuba-Libre e serenata

cubalibre1

Uma dose de rum, umas rodelas de limão, coca-cola e gelo… Cuba-Libre!
Não sei se era o universo de possibilidades e charme imbutidas no nome, substantivo composto, uma certa imponência com sotaque latino… O fato é que durante uns anos essa era a bebida preferida da galera, na década de 70.
Cuba-Libre! Já deu coragem e ressaca pra muita gente…
E serenta? Quem nunca fêz ou recebeu uma? Quem nunca foi surpreendido na madrugada pelo som dum violão cheio de acordes apaixonados? E na manhã seguinte, flagrou, junto do meio-fio uma garrafa vazia de rum merino, umas garrafinhas de coca-cola, rodelas esbagaçadas de limão, tocos de cigarro…

Cabelos e bobes…

bobes1.jpg

Que os cabelos eram longos, despenteados, cacheados… Ah isso era mesmo! Lindos!

Cabelo… era uma marca nos anos 70. Tema de músicas e até de longos bate-papos, filosóficos… Em mesa de bar.

Quanto maiores melhor. Mas o que era incrível era a estória dos bobes. Não tinham nada a ver com os cabelos despenteados dos malucos, hippies, alternativos, essas tribos todas. Bobes eram coisas de, o que chamaríamos hoje, patricinhas ou dondocas. Bobes, definitivamente, não eram coisas de malucos. As minhas tias adoravam. Eu não entendia aquele sacrifício semanal, as vezes diário. Mas que era um sacrifício era! Por que não fazer logo um permanente, que era também um must naquela década louca? Pelo menos pouparia aquela escravidão. Mas eu acho que era aquela escravidão que elas adoravam. Bota bobe, prega grampo, enrola… Conversa, conversa. Tira bobe, tira grampo, e lá está o cabelo todo arrumadamente cacheado. Cachos bem feitos, tão diferentes dos cachos de Gal… Fatal. Doces… Bárbaros! Maravilhosos! Depois os de Elba, tão ouriçados…

Nunca coloquei um bobe nos cabelos em toda minha vida, mas já fiz papelotes e permanente. A minha experiencia com papelotes foi incrível! Mas isso é uma outra estória.

Um dia eu conto!

Será que hoje ainda se usa bobes? se não me engano tem uma versão nova: Um tal de Babyliss!

Mas os cabelos são outros, as cabeças então… As chapinhas japonesas e escovas progressivas que o digam.
gal.jpeg


Bambolê!

bambole.jpgImagina algo que não sei se pode ser considerado um brinquedo, mas de repente aparece, vindo não sei de onde, nas vitrines de todas as lojas, em todas as cores imagináveis e vira objeto de desejo de toda criançada, pré adolescente, adolescente… Vira uma febre, uma coqueluche! Foi assim com o bambolê. É certo que o iôiô teve seu tempo, o bate-bate também… Mas o bambolê… Sei não! Acho que foi a estrela daquela década. Por onde se andava tinha um monte de menina brincando de bambolê. As mais velhas, as adolescentes, rebolavam no bambolê cheias de sensualidade. O bambolê foi o responsável pelos requebrados das meninas. Diziam as mais bem informadas que o bambolê ajudava a fazer cintura, alargar os quadris, engrossar as pernas… Que era uma malhação, ah! Isso era mesmo. Ainda tinham umas peripécias mirabolantes como deixar o bambolê ir até os pés sem cair no chão, depois subir até a cintura e finalmente passar pelo pescoço, pelo braço… Subir rodando no dedo até o alto. Só vendo pra crer! Mas quem já bamboleou sabe do que estou falando.

O Jingle…

jeans.jpg“LIBERDADE É UMA CALÇA VELHA,

AZUL E DESBOTADA.”

(Jingle da calça US TOP, 1972)

Blog Vicia!

Tô cheia de blog’s. É blog de poesias, blog de delírios cotidianos, blog de caju em caju (daqueles que a gente só escreve de vez em quando) blog de contar estórias de trancoso… E por aí vai… É flickr, é orkut, comunidades… Milhares! Fotolog! Picasa! Porra! É foda!

Tantas propriedades pra administrar! E eu sou só uma imigrante. Talvez por isso mesmo, deslumbrada!

Olá mundo!

Chega mais! Leia e viaje pelo Universo 70