Anéis de fumaça, e a mina divaga…

Ela já esteve em tantos lugares…  Umas  vezes de molambos, outras vezes de princesa. Já esteve ao redor de tantas mesas e bebeu de vários vinhos em várias taças. Já experimentou o êxtase e a catarse. Umas vezes adorou, outras vezes não viu graça, outras vezes teve medo, outras vezes deu em nada. Já engoliu  estrelas, já adoçou sua boca, já vomitou  fel e teve febre,  já tomou chá de sete ervas, já foi porralouca… Já foi Dalila, Sansão, Julieta, Ariadne, Frida, Amelie, Amélia… Um dia caminhou nas nuvens, depois resolveu voar. Morreu sete vezes como os gatos, afundou atrás de um submarino amarelo, percorreu caminhos de folhas secas e pregou com um prego um quadro de van gogh na parede de sua aorta, mas esqueceu de molhar sua horta e ficou sem folhas verdes um ano inteiro, mas quando chegou fevereiro só quis saber de lúpulo, cevada… fermentada… Se vestiu de samambaia e desfilou  solitária na avenida. Também já foi inquilina do céu, depois se mudou novamente pro Haití… Ali mesmo na esquina, aqui pertinho, aqui!
Comeu a goiabada da menina goiaba,  deixou a seringa sobre a mesa. E o papo foi ficando qualquer coisa. E ela pra lá de Marrakech, prá lá, prá lá… curtindo os anéis de saturno.  O ralf era do bom, misturado com chocolate. Mas não ficou só nisso! Nunca ficou só nisso. A viagem foi intensa,  longa…  Ela não voltou nunca mais, não conseguiu encontrar o caminho.