Mangueio…

Sair pra manguear… Era sair por aí com ou sem trampo, de porta em porta, ou  de bar em bar, pedindo alguma coisa. Ou um trocado pra completar o vinho, ou um rango pra matar a broca, ou uma roupa qualquer, de preferência um jeans, uma camiseta velha…

Pareciam, a primeira vista, com mendigos. Mas não eram. Tinham algo diferente. O olhar, talvez. Os cabelos, por certo. Um certo charme, um meio mistério, um ar sonhador…  Uma aura de sabedoria escondia-se ali.

Saiam pra manguear, como atores mambembes, encantar as pessoas, contar suas aventuras de estradas, matar a curiosidade alheia, responder perguntas complicadas: “Quem é você, de onde veio, pra onde vai?” Vocês são hippies???

Sair pra manguear era filosofia pura! Era psicoterapia também… Em grupo! Era o despertar de sonhos escondidos pra muitas pessoas que lhes davam um trocado pra completar o vinho. Elas gostariam de largar tudo também. Desatar o nó da gravata, calçar um chinelo, duas mudas de roupas na mochila, e pegar estrada, cujo destino, liberdade…

Por outro lado, pra quem estava mangueando, era um grande exercício de humildade, de aprendizagem, da perda da antiga identidade e o alcance de outros ganhos sutis, essenciais pro crescimento espiritual etc etc. Mas isso é  um outro papo… Não estou apta, não no momento!

Sair pra manguear era um grito de guerra, naqueles tempos de paz e amor…

Só quem viveu entende o que eu digo, eu acho…

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