Pra mim chega!

“Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.

(Tiago era seu filho e tinha quatro anos..)

Foi esse o bilhete que Torquato Neto deixou, ao suicidar-se, em 10 de novembro de 1972, um dia depois de ter completado 28 anos. Abriu o gás e se foi…

Fazia parte da turma da tropicália, foi um dos seus mentores intelectuais. Estudou no mesmo colégio de Gil em salvador. Conheceu Caetano, Betânia… Depois foi morar no Rio de Janeiro e mesmo sem diploma, exerceu o jornalismo. Casou com Ana… Morou em Paris, em londres…

Compôs entre outras, mamãe coragem e geléia geral. Duas músicas que marcaram a história da tropicália.

Trabalhou como ator no filme “Nosferatu”, de Ivan Cardoso, onde fez o papel do vampiro.

Travou umas brigas com o cinema novo, umas desavenças com a globo, com os meninos da Bahia…

Foi editor da revista Navilouca, cujo único número só saiu anos depois de sua morte… Foi um dos fundadores dos jornais “Flor do Mal” (junto  com Tite de Lemos, Rogério Duarte e Luis Carlos Maciel) e “Presença”.

O poeta se cansou e disse “chega”!  Mas deixou seu legado…

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