Nem sempre saudade é nostalgia…

Mas é que naquela época era tudo efervescência. Tudo estava acontecendo ao mesmo tempo. Quebrava-se tabus, rompia-se fronteiras, tentava-se de alguma maneira, não sei como, mas sem muito sucesso, mudar o mundo… As nossas asas mal cabiam em nós mesmos, nossos sonhos então…

Dançavamos e fazíamos amor suave e freneticamente, enquanto suavamos em nossas  calças coladinhas, unissex, boca de sinos lindas de plush vermelho, cabelões esvoaçantes adornados com fitas coloridas brilhantes… Fumávamos nossos cigarros índios passando de mão em mão e a criatividade não tinha limites, a liberdade pulsava e pulsava e pulsava. E tudo se refletia na música, no teatro, cinema… Depois as coisas ficaram meio mornas, né?

Já não sonhamos tantos sonhos

nem buscamos dentro de nós

santos ou demônios,

apenas somos,  e passamos…

Como nuvens, como transeuntes…

Anúncios