Transa…

123-Caetano Veloso - Transa

Realmente uma obra-prima esse disco de Caetano… Foi um dos discos dele que eu mais curti, assim como  Bicho, qualquer coisa, Jóia,  e também  araça azul, que é experimentalismo puro…  Caetano, nos anos 70 foi brilhante mesmo. Fêz coisas insuperáveis. Sua música marcou a história de uma geração e ainda hoje tem muita galera nova que curte pra caramba esses sons todos.

Ainda hoje Caetano me surpreende um pouco. Mas os tempos são outros e a magia já não é mais a mesma… Ou não!

Como eram leves meus desesseis anos…

camping hippie

As vezes, antes de dormir, quando os devaneios cavalgam  carneirinhos brancos, pulando a cerca das lembranças, e trazendo de volta tantos afetos guardados, momentos mágicos, que um dia foram o presente, e que agora são  imagens guardadas nas paredes da memória. Mas que de vez em quando cavalgam carneirinhos brancos e voltam pra nós…

Então fico aqui, debaixo dos lençois, deixando que essas imagens venham suavemente, e que de alguma maneira se materializem diante de mim,  e me envolvam nessa aura translúcida  de juventude e passado,  sensações,  aromas,  lembranças,  memórias,  afetos…

Me lembro dos meus desesseis, carregados nas costas,  espalhados na mochila, fluindo pelos póros… Como eram leves! Como eram livres, meus desesseis anos…

Andarilhava pela imensidão das praias do sul da bahia. tão vazias, tão lindas… Ao lado de amigos, jovens e belos e livres como eu. Buscávamos nada mais que não fosse,  viver o momento. Aquele momento e pronto!

Não queríamos  mais nada, além de sonhar,  amar,  e viajar para dentro de nós mesmos, ao som de Pink Floyd, Rolling Stones, Mutantes, Novos Baianos… Atrás de paz, talvez! Pois a espada da rebeldia, da inquietude, dos questionamentos, das  transgressões… pairavam sobre nossas cabeças,  ávidos por sangue novo!

Paz e espada viviam à nossa espreita…

Mas como eram leves em minhas costas,  aqueles desesseis anos… De sonhos, delírios,  amores, paz, rebeldia, liberdade, cigarros e som, muito som…

Ainda sonho, e acredito nos delírios e na rebeldia. Mesmo que os anos já não me sejam mais tão leves…  São ainda livres! Livres!

Rauuuuul Rauuuul

raul-seixas-1

Hoje me deu uma saudade danada de Raul… Não sei porque, me lembrei dele. (Cantarolei umas músicas inesquecíveis…)

Aquela energia meio estranha que ele tinha.  Inexplicável, incomun…

Nuns momentos ele era muito doce, muito terno… Noutros:  puro ácido, rascante, picante!  Eram duas faces tão antagônicas… Uma iluminada, outra no escuro. Como todos nós. Mas em Raul tudo  era muito, tudo era mais!

Ô Raul doido!

Maluco Beleza! Por qual galáxia andarás?

“E eu do meu lado aprendendo a ser louco”…

“Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia
Sou da noite a companheira mais fiel qu’ela queria!
Yeah, yeah, yeah, yeah!
Amo a guerra, adoro o fogo
Elemento natural do jogo, senhores:
Jamais me revelarei! Jamais me revelarei!
Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia
Sou da noite a companheira mais fiel qu’ela queria!
Yeah, yeah, yeah, yeah!
E quão longa é a noite.
A noite eterna do tempo
Se comparado ao curto sonho da vida
Chega enfeitando de azul
a grande amante dos homens
Guardando do sol, seu beijo incomum….. ah!
Seja bom ou o que não presta
Acendo as luzes para nossa festa, senhores:
Eu sou o mistério do sol! Eu sou o mistério do sol!
Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia
Sou da noite a companheira mais fiel qu’ela queria!
Yeah, yeah, yeah, yeah!
Mas é com o sol que eu divido toda a minha energia
Eu sou a noite do tempo. Ele é o dia da vida
Ele é a luz que não morre quando chego e anoiteço
O sol dos dois horizontes a mais perfeita
harmonia…..
Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia”…

Ainda Índia…

Se eu tivesse uma grande desenvoltura para a escrita, escreveria um belo e imenso texto sobre a Índia. Suas belezas, mistérios e caos. Suas surpresas e diversidades, suas cores exuberantes… Falaria dos sabores, dos temperos, das pessoas e da fé que elas carregam, dos fardos em seus ombros, do trânsito, dos meios de transporte, tão diferentes e variados; das sedas, dos saris, das linguas, da fome, dos deuses, do Ganges, das cores, que de tão fortes e belas, parece que não existem.

Falaria sobre tudo que vi e senti na Índia. Falaria do meu espanto e êxtase, falaria da torrente de sentimentos contraditórios que nos tomam de assalto no momento em que pisamos aquela terra tão antiga, de tempos imemoriais… E tão moderna, com seus inigualáveis softwers, seus satélites, bomba atômica… Uma favela imensa misturada ao luxo de arranha-céus modernosos, o futuro e o passado convivendo, ora apressadamente, ora zen… Num equilíbrio inusitado e estranhamente belo, que desenha, caos e criação, carma, conformismo, tolerância, questionamentos, mudanças…  Num novo livro, a ser lançado pelas próxima gerações.

Mas como não tenho tanta desenvoltura para a escrita,  me atenho a algumas poucas observações sobre lugares por onde eu passei e pelos quais me apaixonei. Como Pushkar, uma cidade sagrada, reduto dos hippies nos anos 70 e que ainda guarda esse clima meio bicho grilo, meio descolado, desbundado… Um lugar gostoso, charmoso, especial! Lá as pessoas não te abordam tanto, nem oferecem as bugingangas maravilhosas e belas quinquilharias insistentemente, por isso é tão mais bacana comprar a vontade… E tem coisas, viu? Tem também os lagos sagrados, onde as pessoas tomam seus banhos e se purificam de corpo e alma, mais de alma que de corpo… A água não deve ser lá tão limpa!

Pushkar, é deveras um lugarzinho interessante e lindo, que deve estar num roteiro de pessoas descoladas que viajam pela Índia. Eu adorei!

Ah! Outro lugar especial, que também não pode faltar num roteiro alternativo é Lakshman Jhula (Rishikesh). Lindo, mágico, maravilhoso! Foi lá onde os Beatles desbundaram com o album branco, se meteram num ashram, meditaram, curtiram  Yoga, Maharishi… Se banharam no Ganges, deixaram cabelos e barba crescerem, idéias brotarem, imaginação florir e fluir. Foi lá…

E é onde eu quero voltar outras vezes pra me reciclar. Purificar corpo e alma nas águas geladas do Ganges…

Ah! se eu tivesse desenvoltura pra escrita… Escreveria um  belo texto, com tantas, tantas, curiosidades da Índia…