Uma carta que recebi…

kombi-pintada

Não vou dizer o nome de quem me escreveu, mas fiquei tão feliz em receber essa carta-resposta, (prefiro dizer carta do que email, resquícios dos velhos tempos…) Fiquei super feliz de saber que o Universo 70 tá conspirando bons ares, trazendo esperanças novas, novos sonhos, instigando à viagens… Dormir sob as estrelas… enfim!

Eis aí a carta…

“Poxa, que bom receber esse teu e-mail, viu? Tava aqui já há um tempinho pensando em te mandar um e-mail, mas a preguiça tava foda… Pensei nisso esses dias, inclusive… Bom, enfim: ainda nao viajei nao… É que tô esperando a minha amiganamorada terminar o 3º ano colegial e fazer 18 anos (o aniversário dela é daqui a 15 dias), pq ela vai comigo – é que ela vai fugida de casa e, no caso de os pais dela botarem a polícia no meio, ela tendo 18 anos aí já não teríamos problema algum com a lei. Ainda nao sei exatamente quando vamos embora, mas do dia 1º de Janeiro não passa!

Olha, mas agora eu tenho uma dúvida: e o medo, o que que a gente faz com ele? Medo da violência, medo do mundo, medo das pessoas, medo da maldade? É que a gente é criado desde pequeno ouvindo essas coisas, dos “perigos do mundo”, por todos os lados: é a TV mostrando desgraça, é a mãe falando que o mundo tá muito perigoso, é história de assalto, seqüestro, assassinato… A gente é, desde pequeno, acostumado com grades, com o medo de sair na rua, essas coisas…

Eu e essa minha amiga, a Rebeca, a gente já fez uns ensaios de viagem algumas vezes. Quando os pais dela viajam pra casa de praia deles, ela fica na cidade e já umas duas vezes a gente viajou de madrugada pra umas praias a uns 70km daqui, passamos a madrugada pela praia e voltamos no outro dia à tardinha. O problema é que, talvez por essa criação nossa, a gente sempre fica muito “noiado”, com medo de tudo e de todos. Com medo das pessoas, mesmo. E, além disso, eu tive muita dificuldade de cair no sono estando dormindo alí, de maneira tão vulnerável. Como se livrar disso, desses medos? Eu sei que você não poderá me dar essas respostas, que eu mesmo é que tenho que descobrir, mas é que eu fui escrevendo e isso acabou saindo… No fundo, acho que isso é só questão de costume. Não dá pra mudar 20 anos vivendo de um jeito duma hora pra outra. Acho que é questão de tempo. Precisa-se de um tempo pra se desacostumar com algo, né? Aos poucos a pessoa vai se acostumando com o novo…

Bom, mas lá no fundo, acredito que, se viajarmos levando muito amor, alegria e sentimentos bons às pessoas por onde passarmos, a tendência é que só recebamos coisas boas de volta. Acredito que você recebe de volta aquilo que você dá, e que se você só tem amor no coração, então não há o que temer. Se, em cada cidade que passarmos, fizermos o bem a todos que passarem pela nossa frente, acredito que só encontraremos pela frente pessoas boas e que essas pessoas boas só haverão de nos ajudar.

Ah, sempre pensamos, Rebeca e eu, em viajar de carro, pois assim, dentre outras vantagens, teríamos um lugar menos vulnerável pra dormir. Então, esses dias estive pensando em trocar meu carro – que ganhei dos meus pais quando passei no vestibular em uma universidade pública – por uma Kombi usada e viajar nela. Uma kombi é legal por quê pode servir de casa ambulante, né? Acho que me sentiria mais seguro assim, dormindo num carro (ou então em uma barraca mesmo, mas num lugar bem escondidinho, tipo um terreno baldio, escondido detrás de um muro pra ninguém ver). Enfim, estou pensando seriamente nessa possibilidade da Kombi. O que você acha?

Bom, vou indo por aqui, vou pegar a Rebeca na prova.
Um beijo pra você, e obrigado por tudo.
E desculpa se escrevi demais.

Ah, e continuarei lendo o universo70 sim! ele tá aqui nos meus Favoritos faz é tempo e eu tô sempre dando uma olhada pra ver se tem post novo. 🙂

Fui!!

carrinhoflorido

Boa viagem, garotos! Que os bons ventos os leve, e que seja leve essa viagem, e todas as outras que farão ao longo da vida. E que os sonhos não acabem nunca…

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