Uma vez hippie, sempre hippie…

É quase como dizer que não existe ex-hippie! Salvo pouquíssimas exceções, apenas pra não fugir à regra…

Todos os hippies que conheci ao longo da minha jornada de mais de três décadas, nunca deixaram de ser hippies. Muitos cortaram o cabelo, deixaram de vender pulseirinhas e outras bugingangas, de dormir nas praças, manguiar, comer cogumelos… Outros até viraram empresários, ou artistas de sucesso. Mas nunca deixaram de ser hippies, não completamente! É uma coisa muito sutil, como uma tatuagem escondida pela manga da camisa, ninguém vê, mas de repente um pequeno movimento, e ela aparece toda colorida, dando a maior pinta!

Um caso interessante aconteceu comigo, aliás aconteceram muitos desse gênero, mas vou contar só um…

Sou uma desses hippies que se tornaram empresários. Um dia resolvi abrir mais uma loja, num shopping bacana. Lá vou eu, com minha filha e meu companheiro. Tudo resolvido, loja escolhida… Vamos lá, pra fechar o contrato, assinar os papéis… Eu, me sentindo toda arrumada, chiquérrima! Fomos! Quando estacionamos o carro, fui a primeira a saltar. O gurdador de carros, um rapaz de uns vinte anos, olhou pra mim e perguntou, na lata! “A senhora é hippis?” Eu respondi: Sou! E eles dois, também, apontei pra minha filha e pro meu companheiro. E o rapaz completou com um sorriso de quem sabe das coisas, do alto dos seus vinte anos: “Eu tinha certeeeeeza”!

Pois é… Não dá pra negar. E pra que negar? É uma das tatuagens mais bacanas que trago comigo, e faço questão de arregaçar a manga da camisa pra mostra-la. É uma tatuagem invisível aos olhos, mas foi colorida com as tintas da liberdade, dos afetos, das viagens, das histórias contadas e vividas sob a luz das estrelas.

Uma vez hippie, sempre hippie. Essas bandeiras de peace and love, flower power… Podem até estar fora de moda, e não passarem de resquícios de outros tempos. Não importa! A essência está aí e ainda traz odores e sabores de uma história muito louca e muito linda, cheia de paz e amor.,. Bicho!

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5 Comentários

  1. Rubens Salles Jr. said,

    setembro 18, 2009 às 8:01 pm

    Pô bicho
    è isso aí, eu também sempre dou bandeira sobre ser ou não ser, com os meus 58 anos muita gente chega pra mim e diz e aí bicho você curtiu os anos 60 meu.
    è exatamente como você disse é uma tatoo eterna mas não no corpo e sim no ser.
    Paz e Amor
    Bicho

  2. Rubens Salles Jr. said,

    setembro 19, 2009 às 12:34 am

    Gostaria de registrar aqui duas coisas pra todos os hippies do Brasil que Tô curtindo a bessa este site e que tem um caretão ai que diz que nossa geração sonhava em mudar o mundo e nos mudamos ai aparece um planeta todo destruido com poluição e outras coisas, mas o que eles não sabem que estamos além disso acima de tudo estamos na PAZ NO AMOR E ROCK N ROOL.
    Pô meu eu morei em arembepe e não foi os hippies que deixaram aquele lugar uma merda, pq quando morava lá nos faziamos festas pra namorar a lua e tai chim chuam antes de tomar banho na lagoa então cara não se culpem não somos responsavel pela degradação do planeta.
    Falei e disse

  3. junho 23, 2011 às 1:39 am

    Para sempre…so PAZ e AMOR,,adoreei tddddddo!!!!

  4. sunshine said,

    agosto 12, 2011 às 5:11 pm

    Posso nao ter vivido nessa época, embora eu seja adepta do ideais.. e sabe o que mais me entristesse? é que foi lutado tanto pela liberdade de expressao, e encorajaram tanto as pessoas a serem elas mesma sem nenhum tipo de pudor.. para chegar nos tempos de hoje e as pessoas nao saberem dar valor a originalidade, ou usarema liberdade de expressao para coisas futeis e superficiais que nada acrescentam (mas como a propria expressao diz.. liberdade de expressao, entao nao posso falar muita coisa..), é que na minha opiniaao se perdeu muita coisa, que muitos jovens nao enchergam
    Mas perdeu muito da magia, a inocencia.. a ESSENCIA, o verdadeiro espirito de liberdade!
    Mesmoo assim eu acredito que dentroo de pouco pessoas esse espirito ainda vive.

  5. Facundo said,

    janeiro 20, 2013 às 1:29 am

    Engraçado, mas é assim mesmo, eu e a minha esposa também, paramos de manguear faz anos, mas cada tanto alguém olha para a gente, com os olhos entre fechados e fala, “Voces são hipies? a última vez foi agora a pouco na feira de San Telmo quando voltei a Buenos Aires para ver a minha Mãe: “vos sos o fuistes artesano, no?” É um brilho distinto nos olhos, não da para disfarçar. Grande abraço!


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