Novos Baianos…

“Vou andando como sou e vou sendo como posso, jogando o meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros”… Pra mim, ninguém marcou mais a malucada da estrada, nos anos setenta, que os Novos Baianos. Eles eram tudo que nós queríamos ser, e eles viviam como a gente vivia. Só que gravavam discos, faziam seus shows… Enquanto vendíamos nossas pulseirinhas nas portas dos teatros. Feiras, bares e adjacências.

Os Novos Baianos eram totalmente malucos, lúdicos, livres e despretenciosos. Era isso que nos tornava tão próximos deles. Eles davam os recados que também eram nossos, eles vestiam as nossas roupas e compartilhavam nossas idéias, e comiam cogumelos, e fumavam marijuana, como nós.

Muita gente não tem noção de como era viver na estrada, nos anos setenta, aqui no Brasil. Era uma galera! Enorme!

Muitos malucos botaram uma mochila nas costas, deixaram um bilhete na porta e sairam por aí… E essa malucada terminava se encontrando, se conhecendo, levando notícias, trazendo notícias. Era uma grande comunidade nômade que se espalhava e se encontrava em lugares diferentes, constantemente.

Era maluco subindo pro Norte, maluco descendo pro Sul. Maluco morando em barcos, carroças, casas abandonadas… Desbravando o extremo sul da Bahia ou o alto Tapajós.

Era um frenezi zen psicodélico tropicalista libertário.

E digo sem medo de errar: Os Novos Baianos foram as figuras que mais embalaram os nossos sonhos e os nossos delírios cotidianos.

Saudades dos Novos Baianos!

Amsterdã… Lá voamos nós…

Pois é, vamos pra Amsterdã, “cidade que eu sou fã”… Como já dizia Paulinho de Tarso, músico e poeta.

Vamos pra amsterdã, sim! E quando chegar lá, vou fazer que nem Gabeira, fumar muitos uns nos cafés. Lá pode!

Vou conferir o que falou um parlamentar Paraibano, cujo nome não tem nenhuma importância, a respeito das cidades Européias, onde as “drogas” são liberadas. Segundo ele, são cidades decadentes, onde as pessoas mais decadentes ainda, vagam desnorteadas pelas ruas, sob o efeito nocivo da erva maldita. Ô papo brabo! Claro que eu não vou conferir nada disso, eu sei muito bem que esse cara tá completamente equivocado, falando asneiras! Quero mais é curtir as belezas da cidade. Os cafés, fumar uns, claro! E de lá partir pra Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja e adjacências. Mochilão nas costas. Não mais uma longa viagem de carona… Os tempos agora são outros, e me escorrem pelos dedos. Tenho apenas quarenta dias pra andarilhar tudo isso. Fotografar. Me isnpirar para a próxima coleção de primavera-verão. e depois me preparar para outras viagens. Viajar faz bem pra minha alma, meu corpo… É um resquício gostoso que ficou em mim, desde os anos 70.