Ah! Aquela calça Lee…

jeans-desenhopequeno.gifTinha que ser arranjada de contrabando. Não tinha outro jeito, eu acho! Era algo quase inatingível. Eu vivia sonhando com uma, noite após noite. E tinha a maior esperança de realizar o sonho. Não sei como, eu achava que ia rolar uma pra mim, uma calça Lee Americana. Não adiantava USTop, Tremendão, Topper… Tinha que ser uma Lee Americana, nem a Brasileira servia. O tecido da Lee Americana era diferente, o corte, o blue… jeans, aquele desbotado especial, uma cor de céu, sei lá…

Eu já me via vestida em uma. Aí um belo dia um amigo comentou que tinha ganhado do pai, recém chegado dos Estado Unidos, uma calça Lee novinha em folha e a velha ele ia cortar prá fazer uma bolsa à tiracolo, eu dei o maior pulo: Não faça isso meu irmão! Dá essa calça pra mim!” Mas tá tão velha”… Ele falou, e eu disse: Não importa bicho… Eu quero de todo jeito. E ganhei a bendita calça. Usei até cair os pedaços, remendei o quanto pude, amarrava uma faixa na cintura, porque o cós era meio folgado… Mas não importava nada, eu curtia aquela calça Lee boca de sino de montão, e passei muito tempo com ela. Minha companheira de estrada, que já no fim da vida, toda puída, rasgada, virou uma bolsa à tiracolo, super encrementada… Cheia de apliques, bicos e tachinhas, como uma que apareceu na capa da “Geração Pop”, Última moda em 71, já pensou?