Sair pra manguear… Era sair por aí com ou sem trampo, de porta em porta, ou de bar em bar, pedindo alguma coisa. Ou um trocado pra completar o vinho, ou um rango pra matar a broca, ou uma roupa qualquer, de preferência um jeans, uma camiseta velha…
Pareciam, a primeira vista, com mendigos. Mas não eram. Tinham algo diferente. O olhar, talvez. Os cabelos, por certo. Um certo charme, um meio mistério, um ar sonhador… Uma aura de sabedoria escondia-se ali.
Saiam pra manguear, como atores mambembes, encantar as pessoas, contar suas aventuras de estradas, matar a curiosidade alheia, responder perguntas complicadas: “Quem é você, de onde veio, pra onde vai?” Vocês são hippies???
Sair pra manguear era filosofia pura! Era psicoterapia também… Em grupo! Era o despertar de sonhos escondidos pra muitas pessoas que lhes davam um trocado pra completar o vinho. Elas gostariam de largar tudo também. Desatar o nó da gravata, calçar um chinelo, duas mudas de roupas na mochila, e pegar estrada, cujo destino, liberdade…
Por outro lado, pra quem estava mangueando, era um grande exercício de humildade, de aprendizagem, da perda da antiga identidade e o alcance de outros ganhos sutis, essenciais pro crescimento espiritual etc etc. Mas isso é um outro papo… Não estou apta, não no momento!
Sair pra manguear era um grito de guerra, naqueles tempos de paz e amor…
Só quem viveu entende o que eu digo, eu acho…

Tainá disse,
julho 20, 2010 às 2:49 am
Ah, como eu queria ter vivido esses tempos, velho…